Crônicas do Lima


 

CONVERSA EM FAMÍLIA


No domingo, 09/12/2012, fomos a uma pizzaria aqui de Santo André, a Sporcaccione, a fim de comemorar o aniversário do neto Maurício. Ele é o filho mais novo do Antonio Celso, médico e da Myrian, também médica, e irmão do Murilo. Estava completando sete anos. Era, apenas, a oportunidade de “apagar a velinha”, por exigência do aniversariante, pois, a festa mesmo, será no próximo dia 15/12, em um buffet infantil.
Encontravam-se, ali, além deles, a Iara, eu, a Dona Gilma, avó materna, a Carla com o Felipe, meu filho mais novo, e seus filhos Letícia e Lucas.
O Maurício é um menino muito levado, esperto, com alguns lampejos de criança muito acima de sua idade. Estava fazendo muita bagunça, às vezes perturbando o ambiente.
Em dado momento, seu pai, já nervoso, chamou-o e lhe aplicou uma senhora raspança.
A Letícia, única neta, linda, muito inteligente e perspicaz, vendo a cena, disse:
- Vovó Iara, o Tio Cuca (como chamamos o Antonio Celso) quando fica bravo, parece meu pai. É igualzinho!
O Cuca, ouvindo a conversa, replicou:
- Seu pai é que parece comigo, pois, eu sou mais velho!
O Felipe, dos meus filhos, é o que mais se parece comigo, em matéria de “tiradas”, trocadilhos, humor, apesar de ser bem estouradinho! Não o deixem nervoso!
- Sim, ele é o rascunho! Eu sou a versão final!
Na hora de apagar a velinha, tudo preparado, vem o Maurício, pede silêncio, como se fosse o orador:
- Não vou apagar a velinha, porque meu pai esqueceu de comprar!
Risada geral!
O garçom, atento, foi rápido à padaria ao lado providenciar uma, dando chance, assim, ao aniversariante, de cumprir o ritual!
Cantamos o Parabéns a Você!

 



Escrito por JBlima às 17h17
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PREFÁCIO

Recebi, do Professor Clóvis Roberto dos Santos, um recado, por escrito, assim transmitido:
“Amigo Lima
Entrego-lhe meu 15º filho, um pouco diferente dos outros, mas legítimo e feito com muito carinho.
Convido-o para ser o “padrinho”, isto é, prefaciá-lo, o que me dará grande alegria. É uma pedra bruta que precisa ser lapidada e, para isso, conto com sua ajuda, pois sei de sua experiência no ramo...”.
Desse modo, fui incumbido do honroso encargo de prefaciar Lembranças e Lambanças – crônicas de um professor. Será que estou à altura de cumpri-lo? A pergunta é totalmente procedente, pois, apesar de já ter certa experiência como autor, jamais poderei me considerar em igual estágio do Professor Clóvis Roberto dos Santos, nas lides literárias.
Estaria eu, um pobre aprendiz de escritor, dotado da capacidade de tecer comentários a respeito de uma produção que tem como autor, um ilustre, culto e renomado cidadão? Que fez de sua vida um exemplo de dignidade como mestre, alcançando, com muito mérito, todos os títulos possíveis da carreira abraçada? Que já publicou, conforme diz, e comprovo, quatorze livros, apesar deste ser um pouco diferente dos outros?
Espero, então, sejam superadas todas as minhas deficiências intelectuais, culturais para o encargo.
Lembranças e Lambanças... é uma série de crônicas narrando fatos que o autor vivenciou ou de que tomou conhecimento, a grande maioria deles passados lá na região onde se encontra a querida Guará, sua cidade natal, encravada na Alta Mogiana. O que vejo de mais interessante, para o leitor, nesse tipo de literatura, é a sensação de felicidade que ele sente, ao ler situações que delas participou, ou são de seu conhecimento.
A grande maioria dos textos não nega o lado do mestre, do doutor em Pedagogia, do brilhante educador, sempre muito lembrado por seus antigos e atuais alunos, de modo positivo, é bom que se diga.
Como o próprio Professor Clóvis definiu, ao tecer comentário na capa de meu primeiro livro, crônicas são textos marcados pela brevidade, geralmente extraídos do cotidiano, podendo ter ou não, certas situações cômicas.
O primeiro aspecto que me impressionou ao ler Lembranças...foi o fato de estar extremamente visível em todo o trabalho: a alma do autor! Ele a colocou de modo tão claro, como a luz meridiana do sol. Eu que já o conheço há mais de 40 anos, num convívio diário, posso isso afirmar com toda certeza. Em todos os seus atos, sei onde sua alma se encontra! Ela está ali! É a marca de alguém que teve um berço, que foi criado num ambiente familiar, com os pais, irmãos, avós e demais parentes.
Ao abrir a série de textos, vem o autor com A Moça Bonita e o Palhaço, que, como ele diz, é uma “tragédia de ontem, transformada em comédia hoje”, semelhante, como afirma, a tradição da literatura grega. Em muitos, nos apresenta determinadas características da região, principalmente das cidades de Guará e Ituverava, dados geográficos das mesmas, e o fato de todos, ou quase todos habitantes possuírem apelidos. Desse fato, surgem “causos’ interessantes! Cito, por exemplo, de João da Cota e a Outra. Noutros, descreve a verdadeira saga, a luta incessante à procura da formação intelectual, os primeiros voos na profissão, suas viagens à longínqua Pacaembu, até chegar à nossa Santo André, que, para minha maior alegria, ele adotou, elegendo-a como sua cidade. O casamento com a amada Tida. Sua lua-de-mel em Poços de Caldas. Isso em O exame de Admissão e a Turma “Casca de Arroz”, O Reencontro de Dois Grandes Amigos, Meu Casamento e tantas outras.
Outra característica, marca registrada do Professor Clóvis, é o seu lado de pedagogo! No recado que em parte transcrevi no início, ele fez uma ressalva: “...Tentei escrevê-lo livre e solto, especialmente das amarras do “tecnicismo”(...). Mas não pude escapar muito do “pedagogismo”, isto é, querer ensinar em qualquer oportunidade. Consegui só um pouquinho...”. Em quase toda crônica há o lado professoral, mas que, de forma alguma, lhe tira a beleza do relato nela contido!
Já li bem mais de uma vez que ao grande escritor, não basta ter ele o poder de criatividade, ser dotado de ótimo poder de produzir ideias. Deve ele ter em mente, também, a melhor maneira de transmiti-las. Porque, na realidade, ele não escreve para si próprio. Extravasa sua arte, mas deve ter a intuição de como será a reação do leitor ao ler a obra que ele criou. Ou, pelo menos, ter uma boa noção disso. Isto é, saber transmitir!
E, nesse aspecto, o autor leva uma tremenda vantagem, por sua condição de excelente pedagogo que é.
Siga em frente, Professor. Esse é o seu estilo. Dificilmente, ou impossível será a quem quer que seja, mudar seu modo de escrever.
Continue a nos brindar com suas deliciosas crônicas. O ABC e as letras, em geral, não podem ficar sem a contribuição de literatos de sua envergadura.
Espero ter atendido, de uma maneira que agrade, o pedido do dileto amigo, Professor Doutor Clóvis Roberto dos Santos.

José Bueno Lima
Advogado e Escritor
Membro da Academia de Letras
da Grande São Paulo.



Escrito por JBlima às 17h16
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FÁBRICAS


Disse, certa ocasião, que acordava, em meus tempos de menino, com os apitos das fábricas. Nos anos 1945/1950, predominavam em Santo André, as tecelagens, marcenarias, algumas metalúrgicas, quase todas de origem familiar. A mais famosa, entre as tecelagens, sem dúvida foi a Ipiranguinha, situada na Praça Adhemar de Barros, e que deu o nome à região onde estava fixada. Seu apito era inconfundível. Por razões sentimentais, tinha eu muita afeição por ela, pois minha mãe Adelina e um seu irmão, o Vicente, mais conhecido por Bitcheca, lá trabalharam. Quase vizinha, havia a tecelagem da Família Didone, situada onde hoje está a cooperativa da Rhodia, a Coop. Os Didone sempre foram muito ligados à minha família, por laços de amizade. Defronte à Vila Sapo, do campo do Palestra, atual Parque Antonio Flaquer, havia a Conac-Companhia Nacional de Cabos, fabricante de cabos, mais tarde Pirelli, que me impressionava pelo sua imponente chaminé. E seu apito.
Mais para perto da Matriz, na rua Santo André ficava indústria do Eugênio Rocco, também tecelagem, e descendo a rua Coronel Ortiz, tínhamos a marcenaria dos Irmãos Balista, cujo produto principal eram cadeiras. Nos fins dos anos 40, estabeleceu-se em Santo André a fábrica de óleo Compol, na rua Alberto Benedetti, onde agora é o “campus” da Universidade Anhanguera. Na rua Jorge Moreira, via sem saída, lá no seu fim, a tecelagem da Família Rocco, sendo um deles, o Euclydes, pai de meu amigo Euclydes Jr., o Tidinho.
Essas indústrias citadas faziam parte de meu dia a dia, por ficarem mais perto de minha residência.
Por volta da primeira metade do século passado, começaram a se instalar na cidade, grandes empresas estrangeiras. Houve um grande “boom” na geração de empregos. A mais famosa, certamente, foi a indústria química Rhodia, de origem francesa. Famosa nacionalmente, pois, além dos produtos químicos, farmacêuticos e, também, de tecidos, produzia ela o lança-perfume Rhodouro, que fez a alegria dos foliões, nos carnavais da época. Grande parte da população andreense foi ali trabalhar. Ao lado da Rhodia, funcionou a Otis, uma das líderes na fabricação e montagem de elevadores. Na mesma esteira, vieram a se instalar a Firestone, que o povo, vulgarmente, pronunciava sem observar o idioma americano, e a Pirelli, italiana, ambas fabricantes de pneus. Muito famosa, também, a Kowaric fabricante de casimira, reconhecida pela sua qualidade, em todo território brasileiro. Do mesmo produto, o Lanifício Inglês, situado na Rua Coronel Fernando Prestes, esquina com a Rua Venezuela.
Na Avenida Queirós dos Santos havia uma fábrica de móvel bem conhecida, a Streiff, que fabricava mesas, cadeiras e outros objetos do ramo. Um pouco para frente, em direção ao bairro, antes da Firestone, estava a carpintaria e madeireira dos Sortino, e pouco depois, o Moinho Fanucchi. Mais adiante, já na Avenida Santos Dumont, a tecelagem Fambra.
Na Avenida Industrial tivemos a empresa de refrigeração da Família Platzer, o Jutifício Maria Luiza, dos Trevisiolli, a General Electric (GE), as indústrias de adubos (IAP e outras), que vieram empestear poluindo o saudável ar de Santo André. Nesse aspecto, a Rhodia também contribuiu, ao jogar detritos no Rio Tamanduateí, a ponto de aqueles mesmo estando afastados, ao sentirem o cheiro, exclamavam:
-Nooossa, hoje a Rhodia tá exagerando!
Ainda na Avenida Industrial,  Fichet e a Nordon, duas importantes indústrias do ramo metalúrgico.
Na verdade, A Cidade Que Dormiu Três Séculos, título do livro, no dizer do seu autor, o historiador andreense Octaviano Gaiarsa, Santo André iniciou seu crescimento a partir dos anos 50, para se tornar uma das principais comunas do Estado de São Paulo.
Nos últimos trinta anos, após o movimento sindicalista implantado na região, principalmente pela classe metalúrgica, nossa cidade passou por grandes transformações, notabilizando-se, hoje, como um grande centro prestador de serviços.



Escrito por JBlima às 17h13
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ANTIGUIDADES

   

Volta e meia sou lembrado por leitores, parentes e amigos, os antigos comércios existentes em Santo André. De fato, são aspectos que marcaram pontos em nossa existência, trazendo-nos na lembrança aqueles estabelecimentos que completavam nossas necessidades.
Lembro-me, na infância, de minha mãe Adelina me pedindo:
- Zezinho, vai até a padaria buscar o pão! Às vezes ia ou na Paulicéia, situada na Avenida João Ramalho, ou na São Paulo, da Joaquim Távora. Também, pegava, de vez em quando, um pãozinho diferente, na padaria do Gardezani, que ficava um pouco mais longe, na esquina da rua Dom Duarte Leopoldo e Silva, com a Alfredo Flaquer. Tinha ele o formato de um pequeno foguete, e chamávamos de “corninho”.
Mantimentos, nós nos abastecíamos na venda do Carmine Rossini, até o dia em que abrimos a Mercearia Dom Bosco, de tão boas lembranças. Um local que nunca me esqueço foi o Bazar do Juquita, pegado ao Bar da Saudade. Ali minha mãe comprava as lãs para o tricô, linhas, botões, e aquele material para as atividades peculiares da dona de casa.
Já moço, deixando a Vila Assunção, e começando a frequentar o centro da cidade, meu mundo teve um crescimento espantoso, apesar de não se comparar com o de hoje. Todavia, passando a viver nos arredores das ruas Oliveira Lima, Senador Flaquer, comecei a tomar conhecimento de dezenas e dezenas de estabelecimentos, dos mais diversos tipos. Na Senador, a tão famosa Sedanossa, loja de tecidos do Sadala Melhen, que existiu até recentemente. A Farmácia Glória, do Quinto Tombolato, o Restaurante Balderi, o armazém do Bartolli, a Farmácia Martins, o Bar do Jorge Turco. Não posso deixar de falar dos parques de diversões e dos circos (o do Liendo, o mais famoso), atividades ocasionais, instaladas em terrenos baldios da citada via pública. Sem esquecer a Casa Veronesi, antes somente sapataria, agora roupas masculinas em geral, comandada pelo Irineu e filho (deve ser o comércio mais antigo da cidade, junto com a selaria do Sbrighi, na Fernando Prestes). Pegado, as alfaiatarias do Somera e do Américo Pinto Serra. O Externato Santana, da Dona Cotita, onde frequentei junto com os irmãos Zeca e Paulinho Serra.
Na Oliveira Lima, então, um sem número de estabelecimentos. Vou citar alguns deles, pois, não haveria tanto espaço para todos. Começo pela Joalheria Zucchi, do grande amigo Glauco, onde, em 1961, após haver ingressado na Prefeitura de São Bernardo do Campo, recebendo o primeiro pagamento, comprei meu primeiro relógio, um Enicar, recomendado pelo proprietário. Ao lado dela, a Sapataria Cassetari, e na frente, a revendedora Ford dos Pezzollo, onde, mais tarde, se instalou a Lojas Americanas. Lembro-me da fábrica de guarda-chuvas dos Isoppo, da loja O Queimador, do amigo Mário Bim. Do depósito da Antarctica (ou da Brahma?), do Milton Magini (Alemão), que entregava gelo nas residências, abastecendo as antigas geladeiras domésticas. O caminhão era dirigido pelo Xaxá, um negro que cantava em italiano. Defronte, a Sapataria Gaucha, dos irmãos Sérgio e Osmar, ao lado da Ótica Wilson, do Tavares, tendo na parte de cima do prédio, o consultório do oculista famoso na cidade, Dr. Delmanto.
Mais abaixo, o Bazar Wilma, assim chamado em homenagem à filha do proprietário, Arnaldo Carollo, e que veio a ser minha cunhada, mulher de meu irmão Sebastião. Nesse ponto, onde a Oliveira Lima faz cruzamento com a Monte Casseros de um lado, e Albuquerque Lins de outro, forma-se um pequeno largo, cujo espaço ficou conhecido por Quitandinha, devido ao bar de mesmo nome ali situado. Reduto de políticos, da Turma do Panelinha e dos “fofoqueiros”. A Boca Maldita da cidade. Ficava embaixo do Clube de Xadrez, ao lado do Cartório de Registro Civil do Paiva, sobrenome do tabelião, e da Coletoria Estadual. Em frente, na outra calçada da Oliveira Lima, ficava o Bar Esporte, vizinho do Bazar Bellettato, e da sapataria do Celso Sampaio. Nesse mesmo lado, ficava a Joalheria do Davi Lowy. Descendo havia o Prédio Martinelli, onde estava instalada a Câmara Municipal. Defronte a este, a Sorveteria Européia, que teve grande sucesso, vizinha do prédio sede da AUSA, Associação dos Universitários de Santo André.
Daí para baixo, poucos estabelecimentos merecem citação. A Padaria Matinal, reduto do Ocara Clube, embaixo da sede do Clube Atlético Rhodia, tendo à sua frente a Farmácia do Zezinho Brancaglione, outro famoso farmacêutico.
Atravessando a rua General Glicério, víamos o prédio da A Exposição, a loja que vestiu a maioria da população masculina de Santo André.
Lá no fim, defronte à via férrea, numa esquina o famoso Cine Tangará, onde tantos e tantos namorados frequentaram, na saudosa primeira sessão noturna dos domingos. Na outra, a velha sede da Prefeitura de Santo André.
Acredito que, aqueles que tiverem a oportunidade de ler esta crônica, de um lado, com toda certeza, vão dizer, puxa, ele se esqueceu da loja tal, daquilo, disto. Dou a mão à palmatória! Difícil me lembrar de tudo!
De outro, terão, duvido que não, o prazer de relembrar certas passagens de que foram testemunhas, protagonistas ou de que ficaram sabendo por ouvir dizer, acontecidas nesses estabelecimentos.
Saudosas recordações!



Escrito por JBlima às 13h26
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ESTUDANTE


No período após o término do curso científico no Arquidiocesano, a fase era dos vestibulares.
Em janeiro de 1959, sem cursinho preparatório, fiz vestibular em Curitiba, atendendo aos anseios de meus pais. Por pouco, não ingressei na faculdade de medicina da Universidade Federal do Paraná.
Antes, entre 1957/1958, cursei o Centro Preparatório de Oficiais da Reserva – CPOR – juntamente com o 2º e o 3º Científico, conforme já relatei em outra crônica, na área da Saúde.
Nessa época, a vida era muito agitada, e meus pais resolveram ir morar perto do colégio, na rua Tenente Gomes Ribeiro, a primeira travessa da rua Pedro de Toledo, que começa defronte ao Arqui. Assim, facilitava minha vida estudantil e militar.
Deixando de lado esse período, hoje, após todos esses anos, morando em Santo André, sempre que vou a São Paulo, e tenho ido muito, a maioria das vezes passo pelo colégio, indo pela rua Loefgreen, e vejo a beleza das instalações esportivas do mesmo. Já no meu tempo eram boas, agora então...!
Numa dessas rápidas viagens, lembrei-me de um fato interessante, que contando para a Iara, ao meu lado, ela gostou muito, achando que deveria eu relatá-lo, em um de meus textos.
Bem próximo ao colégio, na rua Domingos de Morais, havia o bar de propriedade de um árabe. Como o estabelecimento, era ele uma pessoa muito simples. Todavia, fazia uns produtos de sua terra, de qualidade ótima. Kibes e esfihas muito gostosas! E outros pratos. Quando meus pais estavam fora, coisa muito comum, ora em Santos, ora em Poços de Caldas, ia eu lá fazer minhas refeições. Daí, surgiu a amizade com o “Turco”, como o chamava. Certa ocasião, o encontrei não muito bem de saúde, sei lá se uma gripe, ou qualquer outro incômodo. Como ele sabia que eu estava cursando a área de saúde no Exército, e necessitando tomar uma injeção, solicitou-me que a aplicasse. Nunca havia eu feito esse procedimento em minha vida, apesar da noção do mesmo, uma vez que tínhamos aprendido a, teoricamente, executá-la. Baixou as calças, e lá fui eu...! Felizmente, deu tudo certo.
Injusto não registrar, também, a pensão do Galo, na Loefgreen, onde era costume almoçar, naquela época. Além da comida, muito boa, tinha ele umas filhas igualmente bem bonitas e atraentes! E loucas para fisgar um estudante...!
Entretanto, eu era muito tímido!

 



Escrito por JBlima às 16h52
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                                               O LÁPIS E O GUARDA-CHUVA

O lápis teve sua primeira unidade fabricada em chumbo em 1761, por um membro da família Faber, em Stein, perto de Nuremberg, na Alemanha.
De lá para cá, no decorrer de toda sua existência, longa por sinal, uma descendente da família Faber casou-se com um membro de outra, a Castell, daí surgindo o hoje afamado nome Faber Castell.
Esse tão útil objeto, sempre nas mãos dos criadores e seus herdeiros, teve sua fabricação espalhada pelo mundo inteiro, inclusive aqui no Brasil, com indústria situada em São Carlos, interior de São Paulo.
O lápis atravessou séculos, correu o mundo, foi usado por gerações e gerações, exerceu grande importância na alfabetização de pessoas de todos os países, em todos os cantos do universo.
Com tantas invenções, os maiores avanços tecnológicos de que temos sido testemunhas, o mais interessante é que ele, apesar de certas modificações em seu formato, quadrado, sextavado, redondo, bem como se tornou multicolorido, continua sendo constituído de madeira, tendo incrustado em sua parte central um filete de grafite, ou de cera de diversas cores.
Então, lembrei-me da fábula de Gibran, em que a folha de papel branco dizia: “Pura fui criada, e pura permanecerei para sempre. Antes ser queimada e convertida em brancas cinzas, do que suportar que a negrura me toque ou o sujo chegue junto de mim.”
“...E os lápis multicoloridos ouviram-na também, e nunca se aproximaram dela.
E a folha de papel, branca como a neve, permaneceu pura e casta para sempre, pura e casta – e vazia”.

O0O

O guarda-chuva, originário da Mesopotâmia, é datado de 3400 anos, usado para proteção do rei contra o sol. Lá era muito rara a chuva.
Em Roma e na Grécia era exclusivamente feminino. Como o lápis, desde os mais remotos tempos, não mudou. Constituído de uma haste com cabo, sendo composto, na outra extremidade, de varetas concêntricas servindo de suporte ao tecido impermeável.
Foi acessório, na belle époque, das mulheres elegantes, em seus passeios pelos jardins e bulevares parisienses. Mais servindo, nesse caso, como guarda-sol. Usado, também, como acessório, em demonstrações de dança, no frevo, música típica do carnaval de Recife e Olinda.
Não mudou. Continua com o mesmo formato. Mas, poderia ter mudado. Por quê?
Ali por volta de 1960, um nosso amigo de Santo André, não temos certeza se engenheiro ou arquiteto, muito inteligente, criativo, veio com a novidade de ter inventado um novo modelo de guarda-chuva, sem o tecido. Teria ele o mesmo formato do tradicional, todavia, munido de um pequeno motor que acionava as varetas, fazendo-as girar numa velocidade tal, que substituindo o tecido impermeável, impediria a passagem dos pingos da chuva.
Infelizmente, o inventor faleceu antes de concluir sua criação, ninguém mais se interessando em dar continuidade a ela.
E o guarda-chuva seguiu sem qualquer mudança! Inclusive, continua sendo o recordista mundial do “esqueceram de mim”!



Escrito por JBlima às 19h40
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                                         MADRI
Ali por volta de 1997 ou 1998, estando no Guarujá durante as Boas Festas, mais precisamente após o almoço do dia primeiro do ano, encontrávamos na sacada do apartamento do anfitrião, Duílio Pisaneschi, comentando as comemorações do Reveillon, os fogos, a ida à praia à meia-noite, os festejos no condomínio. Tudo muito agradável!
O Duílio, como faz todo ano, tinha viagem marcada para a capital espanhola, ainda naquela noite. E, no meio da conversa, virou para mim e perguntou:
- Zé (como me chama), você não quer ir comigo?
Pego de surpresa, olhei para a Iara, e ela, sempre amável, acenou positivamente.
Em rápidas palavras. Num prazo curto, subimos de helicóptero para Santo André, fiz minha mala, e lá pelas vinte horas estávamos no aeroporto de Guarulhos, aguardando o embarque para Madri.
Viagem muito boa. Não conhecia a Europa. Inverno. Fazia um frio nunca sentido. Dizia o motorista do táxi que há muitos anos a cidade não era tomada por tão baixa temperatura, e para minha felicidade, nevou. Jamais havia visto neve ao vivo!
Durante uma semana conheci a maior parte de Madri. Enquanto o Duílio ia atrás de seus negócios, primeiro fiz um citytour, conhecendo os pontos mais importantes da cidade. Apaixonei-me pelo Museu do Prado.
Muito levado pela admirável guia, uma espanhola bonita e simpática ao extremo. Fiquei emocionado com as pinturas de Velásquez, principalmente encantado pela fidelidade das feições dos seus personagens. O quadro de Cristo crucificado levou-me às lágrimas. Essa pintura tem como característica os pés de Jesus, pregados em paralelo, diferente do mesmo quadro de outros artistas.
E a neve caindo!
Estava hospedado no hotel que fica ao lado da famosa loja de departamento El Corte Inglès. Como bom brasileiro, consumista, era minha visita diária.
Num determinado dia fui, em excursão de ônibus, visitar o programado Vale de Los Caìdos, mas impossível de lá chegar, em vista da neve, e o El Escorial. A este, conseguimos acesso. Um belo castelo, hoje museu. O fato interessante se deu com a guia, já não mais a anterior. Uma senhora sessentona, elegante, sapato salto alto. Não deu outra! Ao descer do ônibus, após alguns passos escorregou na neve. Estatelou-se no chão, tendo de aguardar a vinda de uma ambulância. Ao que parece, se não fraturou o tornozelo, teve uma forte luxação.
Com o Duílio restavam as noites, quando íamos aos restaurantes jantar, inclusive, num onde comemos um delicioso chivito, regado ao vinho espanhol. Exceção feita, quando fomos a um show de música com jantar, num teatro.
O Duílio conhecia Dona Lola, uma espanhola que morou em Santo André. Almoçamos com ela em um restaurante de peixes e frutos do mar. Comida inesquecível!
Ah! Conheci, também, o maravilhoso cassino de Madri!
Assim, sem nada planejado, fui conhecer a Europa, se bem que uma só cidade! Porém, maravilhosa!



Escrito por JBlima às 19h36
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                                                         O VIRA DO MORETTI

Estávamos na fazenda do Bimbo, em Trabiju, interior de São Paulo. Já falei sobre ela. Éramos em vinte. Turma do Panelinha.
Entre outros passatempos, o costume é nos reunirmos ao redor de mesas situadas no galpão da piscina, para os bate-papos. Sobre música, cinema, esportes, política...
O Moretti, médico cirurgião plástico, recuperado de sérios problemas de saúde, mineiro de Lavras, voltava ao nosso convívio, demonstrando não ter perdido sua enorme veia humorística, sempre contando casos com finais inesperados. Toda sua conversa tem início que prende o ouvinte. O final...!
Naquela ocasião, o assunto girava em torno de animais domésticos, quando ele lembrou-se do vira, nome vulgar do pássaro preto, que vivia em sua fazenda em Lavras. Domesticado, a gaiola tinha sua porta aberta, e a ave circulava livre pela casa, voltando somente para o repouso. Num determinado dia, estando o Moretti ausente, ao voltar para a casa, encontrou a gaiola no chão, e o vira com uma das pernas fraturada. Não tendo outro material disponível, pegou dois palitos de fósforos da caixa sobre o fogão, partiu-os ao meio, e com linha fina, colocou uma tala no membro fraturado da ave. Trabalho perfeito, dada sua habilidade como cirurgião. O vira, logo, logo, começou a dar seus passinhos, até executar breves vôos, geralmente, sobre o fogão à lenha, claro na parte lisa, sem as bocas.
Feliz, a ave passou até a cantar, atraindo uma fêmea, e assim
ambos ensaiavam, inclusive, passinhos de dança, sobre o fogão. Não é que, o vira, ao dar determinado passo, as cabeças dos palitos, se tocaram, em fricção, produzindo uma faísca de fogo, vindo a causar a morte do bichinho, com queimaduras de terceiro grau em todo corpo! Assadinho!



Escrito por JBlima às 19h33
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                                     EXEMPLO

 

 

25/07/12
Não tendo outro compromisso hoje, antes das 16:00hs, aproveitei para ver, pelo menos, o primeiro tempo do jogo de futebol feminino entre o BRASIL e a REPÚBLICA DOS CAMARÕES, já fazendo parte das Olimpíadas de Londres. Quando liguei a TV, as jogadoras estavam perfiladas, para cantar seus respectivos hinos. Começou pelas nossas adversárias. Todas elas, todas, devidamente em posição de respeito, com a mão direita postada à altura do coração, cantaram em alto e bom som, seu hino nacional. Fiquei altamente impressionado!
Depois, a decepção! Nossas jogadoras, com exceção da Marta, e por isso ela é a melhor atleta da modalidade no mundo, eleita cinco vezes consecutivas, somente ela se postou em posição de sentido, igualmente às camaronesas, e cantou nosso Hino. As outras, em sua maioria, não digo que desrespeitosamente, porém, sem qualquer vibração, apenas balbuciavam a letra dele.
O que não entendo, até hoje, é a postura de nossos dirigentes em não obrigar todo atleta convocado para representar o Brasil, a aprender a letra do Hino Nacional.
No Estado de São Paulo, como em alguns outros, todo evento esportivo deve ser antecedido pelo canto do Hino Nacional. Em jogos do Campeonato Brasileiro, a mesma coisa se repete. E, o que é pior, além dos jogadores não o cantarem, grande parte deles não estão nem aí, dando pulos de aquecimento, flexões, e outras atitudes desrespeitosas, durante a execução!
Entendo que a CBF e outras entidades promotoras de torneios, que obrigam a execução do Hino Nacional, deveriam  punir os clubes que assim seus jogadores procederem!

 



Escrito por JBlima às 23h02
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                      ESCABECHE DE BETA
“Os seres humanos têm o costume de atribuir aos outros animais, e às vezes até a objetos, os mesmos sentimentos e necessidades que nos caracterizam.(Alberto Vasconcelos)

O pai, Firmino, pescador não daqueles fanáticos. Nem mentiroso. Quando em atividade no seu trabalho, juntamente com alguns colegas, vivia participando de pescarias, preferencialmente no mar, na beira da praia, ou nas pedras, onde os mariscos se incrustam. Apenas uma vez, em Aruba, se dispôs a entrar numa lancha, indo para o alto-mar. Na realidade, era ele um grande medroso. Somente, entrava na água, onde lhe dava pé. Até em piscina.
Chegou a ir, em três ocasiões, ao Pantanal de Mato Grosso do Sul. Somente uma vez arriscou em subir num barco. Sempre preferiu a segurança do barranco, submetendo-se a fisgar apenas peixes de menor porte.
Atualmente, não tendo mais idade para maiores aventuras, Firmino se contenta em  frequentar  pesqueiros, ou os chamados pesque-pagues.
Isso tudo conto, para demonstrar a afinidade que o Firmino possui com esse animal. Quando seus filhos ainda eram crianças, um dos sonhos dele era ter um belo aquário em sua casa. Com a intenção de que eles viessem a ser, também, amantes da espécie, e pescadores. Mas, a mulher, Domícia, inflexível, sempre foi contra. Não aceitava qualquer animal em sua casa. Porém, de tanta insistência, concordou ela em ter um pequeno aquário, onde foi colocado um peixinho, o beta. Somente um, porque essa espécie não admite mais que um, num ambiente reduzido. Brigam até a morte. Segundo o Recantista Alberto, autor da frase acima, é um predador de insetos.
O bichinho era tratado como mandavam os entendidos. Comida em tal hora, quantidade bem controlada, troca de água regularmente. É preciso explicar, que na região onde Firmino mora, no ABC paulista, nos arredores da Serra do Mar, o inverno costuma ser um tanto quanto rigoroso, não chegando aos pés da região das serras catarinenses, porém, faz bastante frio.
Dona Domícia, apesar de não gostar, tratava bem o beta, preocupada com sua subsistência. No primeiro inverno que chegou, rigoroso para os padrões locais, sentiu que ele pudesse ficar mal, diante da água gelada. Numa primeira noite deu uma amornada na água, e assim o fez, por uns dois ou três dias. Até que, na manhã do quarto dia, qual não foi a surpresa, o beta estava boiando, de barriga para cima!
Mortinho!



Escrito por JBlima às 09h24
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                               PÔQUER

 

Um dos passatempos mais utilizados pelos jovens de minha época era um joguinho de pôquer. Não acontecia todos os dias, pois, teria certa conotação de vício. Somente em fins de semana, na ausência de uma festinha, um baile, ou outro qualquer evento mais interessante. Havia poucas opções de lazer, principalmente, após certa hora da noite, quando se recorria às cartas. Claro que não era  “a leite de pato”, expressão usada quando  no jogo não corria dinheiro; todavia, ganhava-se ou perdia-se uma insignificância. Também, o grupo só comportava estudantes. Poucos trabalhavam.

Nunca fui muito ligado ao baralho. Participava muito pouco da jogatina. Lembro-me de que, no ano que precedeu aos vestibulares, em 1960, morei numa república de estudantes de medicina, na Vila Mariana, em São Paulo. Éramos uns seis, o Airton, o Julinho, o Daher Gataz, e dois outros cujos nomes me fogem da memória. O grupo (eles) tinha algumas paixões: a música e o pôquer, além da faculdade, é claro!  O Airton era ótimo violonista, e com os outros cantando, formavam um bom conjunto. Uma praxe: com garrafas iguais, volumes de água diferentes, penduradas num suporte, produziam sons rítmicos, acompanhando as canções. Estas, geralmente, sambas dor-de-cotovelo, boleros. Às vezes varavam a madrugada. Em outras noites, rolava o pôquer.

Abro um parêntesis para dizer que, hoje, ainda existem turmas de jovens que praticam esse emocionante jogo de baralho. Outro dia mesmo, visitando uma colega de profissão, ao me mostrar sua residência, vi, no fundo do quintal, um espaço gourmet, com fogão, geladeira, churrasqueira. Disse-me que, volta-e-meia, um sobrinho (ela não tem filhos), também advogado, trazia seus colegas para um joguinho ali, e, enquanto o jogo corria, assavam uma carne.

Voltando ao passado, aqui em Santo André, havia entre os amigos a turma do pôquer. Henricão, Irineu, Valdir e outros mais.  Os encontros eram esporádicos, mas aconteciam. Jogo a dinheiro, porém, bem barato. Certa ocasião, o Irineu perdeu um dinheirinho, e o Henricão, como legítimo descendente de Israel, não deixou por menos, cobrando o que havia ganhado. O Irineu, também judeu, sem nada no bolso, teve que lhe dar uma Parker 51, em garantia.

Sempre cobrado, o devedor, cujo pai era proprietário de uma “lojinia” de roupas masculinas, acabou pagando a dívida, cedendo ao credor duas gravatas!

 



Escrito por JBlima às 21h50
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                               TAMBÉM É CULTURA!


Numa entrevista que fiz, no “Programa do Joaquim” do jornalista Joaquim Alessi, na TV Mais, aqui de Santo André, ele abriu o mesmo citando Mário de Andrade, que numa poesia lamenta não saber de quem se tratava Lopes Chaves, nome da rua em que morava.

O jornalista Alessi assim procedeu em vista de que algumas ruas centrais de Santo André, tinham seus nomes ligados a membros de minha família. A Rua Gertrudes de Lima, por exemplo, se trata de minha bisavó, mãe de meu avô paterno Antonio Joaquim. Outra é a Rua Coronel Oliveira Lima, a principal via comercial de Santo André, meu antepassado mais distante.

Vejam que chique! Estabeleceu um paradoxo entre Mário de Andrade, figura central do Movimento Modernista Brasileiro, e minha pessoa, um idoso engatinhando nas letras como pretenso escritor.

Sinto-me, imensamente, honrado!

Pois bem, comentando com minha esposa Iara a esse respeito, ela que é considerada mestre de Português, professora de redação para vestibulando, e que para tanto necessita de estar sempre bem atualizada, o tema se expandiu. De ótima memória, o que é necessário, também, para seu trabalho, lembrou-se de haver lido algo relativo a nomes de rua. O texto que lhe veio na cabeça, narrava o fato de um determinado servidor público, provavelmente municipal, que tinha como tarefa limpar placas com nomes de ruas. Munido de escada e panos com produtos de limpeza, praticava sua missão de via em via. Em um determinado tempo, já cansado desse trabalho até certo ponto estafante, somado à monotonia do mesmo, resolveu quebrar essa rotina.

O que ele fez? Começou a pesquisar os nomes das ruas cujas placas ele limpava! Assim, com o tempo, possuía um bom acervo de dados biográficos dos personagens cujos nomes constavam nas placas de ruas, bem como de outros dados, como de cidades, países, acidentes geográficos, da fauna, da flora. Enfim, de tudo que fosse motivo para dar nome às vias públicas. Formou uma espécie de enciclopédia particular.

Está aí, então, um exemplo de que não importa qual seja a atividade exercida pelo cidadão, da mais simples até a mais complicada, sempre há a possibilidade de se obter lições que ultrapassam os limites da visão de um mero espectador.

Basta que o executor use seu poder de iniciativa, e, principalmente, exerça o seu dom de criatividade!

Um belo exemplo!


 

 



Escrito por JBlima às 21h41
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                                 MISTÉRIOS DO VALE

É o título do livro que ganhei de Sônia Gabriel, em que a autora conta histórias originárias das diversas cidades que compõem o Vale do Paraíba, Serra da Mantiqueira e Litoral Norte Paulista. Buscadas nas próprias fontes.

Numa troca de gentilezas, mandei-lhe dois dos meus.

Nem preciso dizer o tanto de satisfação que me fez o presente da Sônia, pois sou vidrado admirador de histórias do tipo que ela conta. Coisas da terra. De raiz.

Num rápido passar d’olhos na capa, suas asas, sumário, dois aspectos já me chamaram a atenção, o que me motivou ir direto aos mesmos. Primeiro, Cunha. Tenho acentuada simpatia por essa cidade. Um grande amigo, Dr. Ricardo Hespanhol, filho de Santo André como eu, possui casa, sítio e fazenda ali. Sendo ele, além da velha amizade, sogro de meu filho Luís Felipe, volta e meia sou convidado a passar alguns dias em Cunha. O Ricardo, tenho a liberdade de assim chamá-lo, Juiz do Trabalho aposentado, se afeiçoou pela cidade, tem o título de cidadão cunhense, e um rol muito grande de amizades.

Certa manhã de domingo, esteve em sua casa um antigo morador de Cunha, provavelmente nascido ali, cujo nome não guardei. Do terraço da casa, numa vista magnífica da cidade, separada por um belo vale, víamos sua casa, bem ao pé do monte à nossa frente. O homem era um grande contador de “causos”. E, não é que, dentre os muitos, em meio aos aperitivos, contou o do caboclo que, chegando na cidade a cavalo, vindo de Paraty, num frio de doer, muita geada, cansado, apeou do animal, amarrando-o numa “estaquinha”. Era muito cedo. À tarde, já com o sol tendo esquentado, procura que procura o cavalo.

Até que ao olhar para a Igreja Matriz, viu o animal pendurado na torre da mesma. O gelo havia derretido, e a estaquinha era a ponta da cruz!

Essa história faz parte do livro da Sônia, contada pelo Zé Varda.

Segundo, a Lenda do Trabiju.

Chamou-me a atenção, pois faço parte de um grupo de amigos ligados ao Clube Panelinha, aqui de Santo André. Dentre eles, há o Bimbo, apelido do Dr. Rubens Awada, médico, muito conhecido na cidade. A cada três ou quatro meses por ano, esse grupo se reúne na fazenda do Bimbo, a Pedra Branca, situada num pequeno município de São Paulo, bem no centro do Estado. Seu nome, Trabiju.

Até ler no livro da Sônia, a Lenda do Trabiju, a cidade do mesmo nome era assim chamada, dizia-se, porque um grupo de franceses havia visitado uma indústria no local, e maravilhado com a beleza da paisagem, em coro exclamou: “très bijou”!

De acordo com a Lenda do Trabiju, em Pindamonhangaba corre a antiga história de uma grande seca, e os índios da região, os Puris, juntos com o grande chefe e do pagé, se reuniram para pedir a Tupã que lhes desse água, pois a sede era muito grande, estavam morrendo! Encostados com os ouvidos na terra, tanto pediram, tanto rezaram, que foram atendidos. Ouviu-se um estrondo, e brotou uma fonte d’água cristalina. Nascia a fonte do Trabiju! O pajé exclamou: “Tupã, aquele que beber dessa água, eu lhe peço, jamais sairá de Pindamonhangaba”! Até hoje, na Praça Monsenhor Marcondes, em Pinda, jorra a água do Trabiju.

Segundo Benedito Waldomiro de Abreu, Trabiju significa “a água que brota do monte” ou “o monte que verte água”.

Tudo narrado no magnífico e interessante livro de Sônia Gabriel!



Escrito por JBlima às 08h59
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PIZZA NO INTERNATO

 

 

Não me canso de dizer que uma das épocas mais felizes de minha vida, foi o período de internato no Colégio Arquidiocesano de São Paulo. Foram 6 anos muito agradáveis, à exceção dos domingos à tarde, quando retornava de minha casa em Santo André, após a folga semanal. Justificável, acho eu, pois não há no mundo melhor lugar do que nossa casa, o aconchego da família, mormente para um garoto ainda imberbe. Todavia, logo a vida no colégio retornava ao normal.

A rotina de internato pode parecer bem monótona à primeira vista, pois, fechados entre quatro paredes, os alunos que só pensavam em estudo, não tinham outra opção senão estudar. Sem participar de esportes, jogos de salão, e outras atividades, e não tendo criatividade, aquela impressão até poderia ser verdade.

Comigo isso não acontecia. Deixo claro que, sempre levei os estudos dentro de uma normalidade, não sendo dos grandes estudiosos, porém, nem dos piores. Muito sociável, e considerado um líder no futebol, sempre consegui manter um círculo bem ponderável de amizade.

Uma situação que quebrava a rotina, fugindo do estudo, aula, recreio e missa diária, era a hora das refeições, principalmente, do jantar. O refeitório era composto por diversas mesas que comportavam oito alunos cada. No primeiro dia do ano, aleatoriamente, as mesas eram formadas, e, é claro, havendo certa preferência, entre os que possuíam bom relacionamento. O grupo permanecia inalterado durante o ano todo.

Não posso afirmar, mas, tenho quase certeza de que, em determinado ano, pela primeira vez na história do colégio, os integrantes da mesa à qual eu pertencia, no aniversário de um dos componentes, combinamos de nos apresentar devidamente vestidos com o terno azul que era o uniforme oficial, e, se possível, com gravata borboleta. No sentido de dar maior pompa e brilho ao acontecimento. E, com a permissão da direção, fomos autorizados a comprar pizza numa padaria próxima, podendo, inclusive, com moderação, acompanhar a refeição com cerveja, e o tradicional bolo com velas. Verdadeira festa!

Foi um sucesso! Nosso exemplo passou a ser imitado por todos os outros colegas!

 

 



Escrito por JBlima às 19h20
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                                      COMO TUDO COMEÇOU...

Tudo se passou em junho de 1962. Estava cursando o primeiro ano de Direito, e já era funcionário da Prefeitura de São Bernardo do Campo, exercendo funções no Departamento Jurídico.

Paralelamente, na parte de lazer, eu frequentava o Bar Quitandinha, na Oliveira Lima, um ícone de Santo André, por ser o ponto de encontro da turma do Clube Panelinha, o mais famoso reduto dos jovens da cidade. Ali acontecia de tudo. Verdadeira vitrine onde as moças da sociedade andreense focalizavam seus pretendidos, e onde tiveram início diversos namoros, noivados,que acabaram em casamentos. Nesse local, nos reuníamos e servia de ponto de partida para os programas sociais, principalmente, festas, bailes e outros acontecimentos.

Era o tempo das festas juninas. Estava marcada uma, num sábado, na casa da Maria Marta, que ficava na Avenida Dom Pedro II, no Bairro Jardim. De antemão, sabíamos que lá se reuniria um grupo bem seleto de garotas, pois as amigas da anfitriã formavam uma plêiade de moças bonitas. A previsão se confirmou. Logo que chegamos, já se notou a presença delas, deixando-nos antever que seria uma festa bem agradável. Todas devidamente vestidas em traje caipira, tornando o ambiente alegre, muito divertido. O entrosamento foi automático, todos participando das danças tradicionais, em grupo, tipo cordão, enfileirados formando túnel, para passagem por baixo. Entre um intervalo e outro, colocava-se  um disco mais romântico, hora em que, os que “tiravam linha” aproveitavam para uma dança a dois, de rosto colado. Numa dessas, notei uma jovem solitária, morena, bonita, simpática, que jamais havia visto na cidade. Cruzamos os olhares, e começamos a dançar. Passamos o resto da festa juntos, cada um falando de sua vida, o que fazia, gostos, enfim, houve um mútuo entendimento entre nós, tudo indicando o início de uma relação. Seu nome, Iara.

No sábado seguinte haveria um baile tradicional no Moinho São Jorge, famoso salão dentro do citado local, muito luxuoso, chamado “Palácio de Mármore”. Promovido por uma entidade beneficente de São Caetano do Sul. O Baile da Pipoca. Combinamos, eu e a Iara de nos encontrarmos lá. Ali, oficialmente, iniciamos o namoro.

Lá se vão 50 anos! Em 2015 faremos Bodas de Ouro!



Escrito por JBlima às 19h19
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